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Departamento de Justiça dos EUA divulga três milhões de documentos sobre Epstein

Departamento de Justiça dos EUA divulga três milhões de documentos sobre Epstein

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos libertou esta sexta-feira um novo conjunto de documentos relacionados com o caso de Jeffrey Epstein, acusado e condenado por abuso sexual de menores e por organizar uma rede de pedofilia.

RTP /
Departamento de Justiça dos EUA via Reuters

O novo conjunto de documentos inclui mais de três milhões de páginas, dois mil vídeos e 180 mil imagens. Não há, por enquanto, previsão de divulgação de mais ficheiros. 

Dos novos ficheiros, encontram-se fotografias registados por Epstein e por outras pessoas – não reveladas -, assim como imagens pornográficas, registos dos tribunais, e-mails e registos do Departamento de Justiça e do FBI. Os documentos que continham imagens de morte ou de abuso sexual de menores ou que identificassem as vítimas, foram removidas.

Em conferência de imprensa, o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, não revelou quais as novidades na investigação, nem quais os novos nomes divulgados nos ficheiros revelados, mas garantiu “transparência” e que não existe nenhuma “proteção” em relação ao envolvimento de Donald Trump nos escândalos de abuso sexual de Epstein.

Em relação ao atraso da divulgação dos novos documentos, Blanche justificou com a proteção das vítimas e com a altura dos milhões de páginas, comparando a “duas torres Eiffel”.

Nos novos ficheiros revelados, encontram-se relatos de Epstein feitos à companheira, Ghislaine Maxwell, sobre a sua saúde psicológica a partir da prisão, assim como o certificado de naturalização de Maxwell, datada de 2002, e que continha como morada a Ilha Little St James, propriedade do pedófilo.

Num comunciado do Departamento de Justiça, é feito um aviso sobre a possível existência de "imagens, documentos ou vídeos falsos ou submetidos de forma fraudulenta", alguns deles contento "alegações falsas e sencacionalistas contra o Presidente Trump, que foram submetidas ao FBI pouco antes da eleição de 2020".

Além disso, há registo de um e-mail por parte de Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, de 16 de junho de 2009, a pedir a Epstein para ficar numa das suas propriedades. Este e-mail foi enviado quando o pedófilo já se encontrava preso por prostituição de menores.
Milhares de vídeos e imagens, mas rostos ocultados

Num anúncio prévio à libertação da nova informação, Todd Blanche apontava para esse volume de mais de 2.000 vídeos e 180.000 imagens, em grande parte "pornografia", explicando que nas imagens e nos vídeos os rostos de todas as mulheres foram ocultados, com exceção da cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell.

Perante a resistência da Administração Trump para revelar a informação relativa ao caso Epstein, congressistas republicanos e democratas uniram forças para pressionar à divulgação do acervo de fotos, vídeos e documentos escritos (incluindo e-mails e depoimentos de testemunhas).

A relutância de Donald Trump de permitir a libertação dos documentos indignou alguns dos seus apoiantes, que veem o caso Epstein - terreno fértil para todo o tipo de teorias da conspiração - como confirmação das suas suspeitas sobre a depravação das elites.

O Departamento de Justiça justificou a lentidão na disponibilização dos documentos do caso invocando a necessidade de proteger as vítimas, ocultando nomes, até mesmo excertos inteiros, ou cobrindo rostos em fotos.

A divulgação a conta-gotas e a ocultação de parte do conteúdo dos documentos alimentariam acusações ao Governo Trump de encobrimento.
Primeira acusação contra Epstein há 15 anos
Entre os documentos ainda não divulgados estão alguns que poderão esclarecer o primeiro caso Epstein, que data de há mais de 15 anos e está separado dos processos que lhe foram posteriormente instaurados em Nova Iorque.

Nesse primeiro caso, investigado pelos procuradores da Florida, Jeffrey Epstein foi acusado de ter recorrido aos serviços de prostitutas menores de idade.

Recebeu uma pena suspensa de 13 meses de prisão e evitou um julgamento graças a um acordo secreto, em 2008, com um procurador considerado pelos especialistas extremamente brando.

Os congressistas por detrás da lei para a divulgação do caso queriam ter acesso à acusação original contra Jeffrey Epstein, bem como a um memorando que resumia a investigação.

Entre os documentos divulgados em dezembro, chamaram particularmente a atenção as fotos do ex-presidente democrata Bill Clinton na companhia de Jeffrey Epstein ou de mulheres cujos rostos foram ocultados.
"Nunca voei no avião de Epstein"
Outros documentos confirmaram a relação de proximidade que existiu na época entre o abastado homem de negócios e Donald Trump, que nunca foi acusado de atividades criminosas relacionadas com Jeffrey Epstein.

O atual presidente norte-americano reconhece ter-se dado com Epstein na década de 1990, mas afirma ter cortado relações antes de este estar a braços com a Justiça.

Em janeiro de 2024, declarou na sua rede social, Truth Social: "Nunca voei no avião de Epstein".

No entanto, o nome de Donald Trump aparece oito vezes na lista de passageiros do avião privado de Jeffrey Epstein entre 1993 e 1996, como denunciou um investigador numa mensagem de correio eletrónico de 2020 divulgada no âmbito das declarações iniciais.

Num dos emails hoje libertados é referido o nome de Trump - que vem negando o envolvimento em episódios de abuso sexual - na troca de mensagens entre Epstein e uma pessoa não identificada, datada de 8 de dezembro de 2017. Esse interlocutor de Epstein informa o predador sexual que chegou mais cedo, mas que não queria "encontrar Trump na tua casa". Epstein respondeu: "Não, vem agora".

Não é contudo o único presidente a figurar nos ficheiros. Outro nome é o do ex-presidente Bill Clinton, que também nega qualquer envolvimento, e de Jeff Bezos, presidente da Amazon, que estiveram numa festa na casa de Maxwell a 21 de outubro de 2009, segundo um email da publicista Peggy Siegal.

Elon Musk havia anteriormente dito que foi convidado para visitar uma das ilhas, mas que havia recusado. No entanto, numa troca de emails datada de dezembro de 2013 Musk perguntou a Epstein se era "uma boa altura para ir", numa ocasião em que o dono da rede social X estaria pelas redondezas, com o pedófilo a responder que "sempre haverá espaço para ti". Não é claro, porém, que a visita tenha acontecido.

c/ Lusa
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